domingo, 11 de outubro de 2009

O tempo (Mário Quintana)

O tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado... Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Desafios

Aprender a amar as diferenças é o maior desafio do ser humano...
Não basta falar é preciso amar, superar barreiras, vencer obstáculos, desafiar as limitações ....

Declaração de Salamanca

Todas as escolas devem acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras. Devem incluir crianças com deficiência e superdotadas; crianças que vivem nas ruas e que trabalham; crianças de populações distantes ou nômades; crianças de minorias étnicas ou culturais e de outros grupos em desvantagem ou marginalizados.”
( Salamanca / 94 )

sábado, 13 de setembro de 2008

Deficiente ou especial?

Qual é a diferença entre ser deficiente e ser especial?
Deficiente, lembra sempre alguém com algum "problema".
Seja a falta dos membros, a falta da visão, a falta disso ou daquilo.
Ser deficiente é ser diferente apenas no aspecto físico? Seja dentro ou fora do corpo?
Sendo uma marca suficiente pela qual as pessoas sempre serão alvos de preconceito e discriminação.
Mas quando se fala em especial, se lembra das pessoas queridas, das pessoas que se gosta, daquelas que se ama, das que já se foram e se sente uma grande falta.
Porém, quantos de nós lembramos dos "deficientes" cujas lições de vida são especiais?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Participação especial

Lembro que entrei na sala, alguns alunos já me conheciam do ano anterior, mas havia muitos rostos novos.
A apresentação do primeiro dia de aula implica nas regras básicas de convivência, nos tratados gerais para o bom andamento dos trabalhos, nas portas que se abrem e fecham para todas as demais situações.
E não tem como deixar de notar aquele corpo voltado para outra direção, diferenciando-se do restante da multidão.
Ao ser coagida a corrigir a postura, só movia o piscar dos olhos.
Num novo e mais severo destaque pela contrariedade, nada além do piscar.
Quando finalmente me aproximei repetindo que deveria virar as pernas e o corpo todo para onde fica o quadro, os alunos me repreendem dizendo: "Ela é surda, profe."
"Puxa. E porque ninguém me falou isso antes?" Perguntei a eles, perguntei a mim mesma e depois choraminguei com os colegas de trabalho.
Perguntei em sinais, se ela sabia falar em libras. Negativo.
Tão raro ter alunos surdos nas escolas, mais raro ainda, é o professor dominar a linguagem brasileira de sinais. Tinha feito um curso cerca de quatro a cinco anos antes. E sem a prática do dia-a-dia, muita coisa se esquece. Ainda assim, tentei timidamente uma comunicação, em vão.
Saí da sala frustrada, pois ela não entendeu absolutamente nada e ainda demonstrou com caretas que não gostou de mim. Não era da minha aula que ela não tinha gostado, era de mim.
Cheguei em casa e selecionei um material com textos e desenhos, relacionado com o tema da aula seguinte, olhava as respostas dos alunos no questionário do primeiro dia... e descobri que não sabia o que ia fazer em relação a ela.
Em uma aula ela estava tão ou mais frustrada do que eu, porque eu não entendi suas falas e ela não entendeu as minhas.
O que fazer?
Já que ela não sabia ler lábios, nem libras, sua comunicação era falha e incompleta, tanto na escrita quanto na oral... O que fazer? Como fazer? E mais, como fazer fazendo sentido?
Cada aula eu aprendia mais do que ensinava, muitas outras dificuldades foram encontradas, porém, sua participação para e na minha formação profissional continuada tem sido importante mesmo estando longe da sala de aula.
Talvez, todo professor passe por determinadas situações, que ao longo do tempo tornam-se motivo de risos, mas que na hora, a fúria lhe transborda a pele, explodindo aos cantos e tamancos.
Embora os nervos lhe aflorem a angústia, também lhe abrem a mente para novas possibilidades de ações e reações. E a busca por respostas passa a ser solução.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Inclusão


Hoje estive pensando...pensando na inclusão...

Quando temos um bebê, desejamos, sonhamos, idealizamos aquela criança, fazemos planos e projetos até viajamos na imaginação (já prevendo o que aquela criança poderá ser quando adulta) quando nos deparamos com o bebê real, temos que parar, freiar nossos impulsos e creditar àquele ser uma chance de poder viver um dia de cada vez.Nos deparamos com uma realidade, a qual
não depende exclusivamente dos nossos sonhos projetos e desejos o desenvolvimento do nosso pequeno.Ele vai viver rodeado por outras pessoas com seus sonhos próprios, seus vícios e suas angustias, vai estar muitas vezes longe de nossos olhares atentos e protetores, as vezes ainda vai estar tão perto que seremos incapazes de enxerga-lo.
Assim é a vida a partir do momento que nosso pequeno tem a chance de respirar sozinho pela primeira vez, tem a liberdade de se expressar mesmo que de maneira instintiva. Passamos a ser comandados por aquele pequeno ser, que define então nossos horários, influência em nossas preferências e passa a ditar algumas regrinhas antes tão questionadas. Essa pessoa é tão especial que não nos damos conta de como ela mudou nossas vidas.
Se essa criança nasce perfeita aos olhos humanos é linda, se nasce perfeita ao olhos de seus pais, terá um longo e árduo caminho a trilhar. Essa é a diferença entre os ditos normais e os ditos especiais...o olhar do outro...
Temos o direito de escolher nossa profissão, nosso companheiro, nossos amigos, nossos bens, carros, casas, computadores, máquinas, só não podemos escolher nossos filhos e muito menos se serão perfeitos aos olhos do mundo ou serão sempre perfeitos aos nossos olhos...
Temos muitos direitos e deveres, temos o livre arbítrio, podemos escolher isso ou aquilo, mas assumimos também os risco dessa escolha .
Quando escolhemos pela maternidade juntamente com ela vem todas as consequências que nos seguirão pelo resto de nossas vidas, estando junto ou não de nós o pequeno.
Quando escolhemos nossa profissão, também definimos alguns pontos essenciais, mas em certas ocasiões nos deparamos com situações inusitadas.Essas podem ser experiências boas ou não, podem enriquecer nossas vidas ou marcá-las para sempre negativamente.Tudo depende do momento em que acontecem. Dependem do nosso olhar.
Querer, desejar e fazer para o outro o que eu gostaria que fosse feito por mim. Olhar para o outro com olhar de quem acolhe, independente de como ele é.
Assim deveria ser o príncipio da Inclusão, aceitar, valorizar cada conquistas, sem mensurar ou justificar os fracasos nas estereotipias ou nos trejeitos.
Inclusão é incluir e incluir é:encerrar;
inserir, meter dentro;
abranger, conter em si;
compreender...
Façamos da inclusão um ato de amor

terça-feira, 12 de agosto de 2008

De onde vêm os limites?

Tem pessoas que dizem pouco, mas nos fazem refletir muito.
Quem já não se deparou com uma situação constrangedora, ao descobrir que uma determinada pessoa, aparentemente normal, tinha um "problema"? Uma "diferença"?
Mas têm algumas, que não dá pra perceber, porque elas não são visíveis a olho nú.
No entanto, há muitas onde suas marcas parecem incomodar os menos instruídos e mais preconceituosos.
Suas limitações físicas chamam a atenção, causam espanto, ou mesmo motivo para chacota.
Muitas pessoas desviam, fazem comentários em tons de burburinhos ou preferem fazer de conta que nada vêem. E me parecem sortudos aqueles que não podem ver.
Há quem prefira acreditar na simplicidade absurda de que as dificuldades dessas diferenças, são maiores que as suas para se agarrar na mediocridade ingênua da superação da dor.
São essas pequenas diferenças, abrindo caminho para grandes conquistas que nos devem fazer repensar quais são os verdadeiros limites... Se eles estão dentro ou fora de nós? E a quem de fato pertencem?
Os limites estão num corpo sem movimento? Nos membros que atrofiam contra a própria vontade? Na visão que se perde ou que nunca se teve? Em não poder estender a mão, ou responder com um simples olhar?
Talvez, a maior deficiência esteja no rótulo do preconceito... onde isto ou aquilo me diferencia dos outros. Onde a ânsia de ser melhor, nos corrompe e alimenta um ego rei.
Não existe pessoa no mundo, que não tenha uma limitação. Disfarçada ou traduzida em medos e receios.
De onde vêm os limites? Do ontem, do agora e de todos os lados.
Depende exclusivamente de si mesmo, romper os padrões, escolher um caminho para ir além das pegadas.
Reconhecer que entre o limite e o ser, basta um passo a frente.

Deficiente X Eficiente



A DEFICIÊNCIA NÃO ESCOLHE PESSOAS COM MAIS OU MENOS PODER AQUISITIVO, NÃO ESCOLHE COR RAÇA, ETNIA, CREDO...

Aprender a amar as diferenças é o maior desafio do ser humano...
Não basta falar é preciso amar
Superar barreiras, vencer obstáculos, desafiar as limitações ....
Escolhemos a maneira de como ser feliz, independente da condição física, social, temos o poder de decidir pela felicidade.
Para muitos deficiência significa ser eficiente, pois, o desejo de vencer supera as limitações do corpo, ultrapassa as barreiras da ciência, vence os obstáculos do preconceito e acima de tudo derruba as correntes que poderiam prendê-lo ao conformismo...
A luta é diária, é constante é desgastante é quase ensurdecedora, mas é importante é valiosa, é inesgotável, cheia de brilho de vitórias de alegrias...
Ser deficiente em mundo competitivo não é fácil, mas ser eficiente em um mundo de limitações é uma vitória...